Em outubro do ano passado tive uma lesão que me deixou (a muito contra-gosto) quatro meses fora das corridas.
Exame daqui, consulta para lá, chegou-se no diagnóstico: Síndrome da Banda Iliotibial. Mais conhecida como “joelho de corredor”, ela é uma inflamação que ocorre pelo atrito desse músculo no osso. No meu caso, a minha pisada estava errada, fazendo com que, na corrida, o joelho viesse mais para dentro da perna, extrapolando o trabalho desse músculo.
O sintoma foi uma dor muito forte, na lateral externa do joelho. Estava no 15º quilômetro dos 16 da corrida da Mizuno, em outubro do ano passado. Terminei a prova pulando em uma perna só, pois era impossível firmar o pé no chão.
A dor, mais branda, continuou por uns dois dias, e depois parou. Pensei que era algo passageiro, e depois da melhora, fui correr. No começo estava tudo bem, mas depois de 8 minutos de corrida, lá estava a dor de novo.
Procurei vários médicos, fiz vários exames e foi aliviante descobrir o que finalmente o que era. O tratamento era fisioterapia (muita!), exercícios localizados para fortalecer os músculos e descanso das corridas (que eu não obedeci, atrasando ainda mais minha melhora). Isso tudo há menos de dois meses da tão esperada Volta da Pampulha, que eu já estava inscrita há muito tempo, e já não havia chance de participação.
Foram dois meses de fisioterapia (mais a “manutenção”, que continua em casa até hoje). A repetição dos exercícios, a falta de expectativa de melhora, não poder correr (teoricamente), tudo me desanimava. Nas últimas semanas de tratamento, não sei como os fisioterapeutas ainda estavam me aguentando. Apesar do desânimo, tive muita persistência e uma vontade enorme de melhorar.
Foi importante para a minha melhora fazer o “teste da pisada”, encontrar o tênis ideal com a ajuda de um fisioterapeuta e usar uma palmilha moldada para os meus pés.*
Entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Minha última sessão de fisioterapia foi no dia 24 de dezembro, véspera de natal, e depois de 40 minutos de teste na esteira, recebi o meu presente: liberada da fisioterapia (com a manutenção em casa) e de volta às pistas (com moderação, e começando bem devagar). Depois disso não deu para segurar: chorei, abracei todo mundo, paguei o maior mico! E sem arrependimentos. Foi por uma justa causa.
Disso tudo, tirei algumas lições:
- Não se pode conseguir tudo no tempo que quer. O corpo tem seus limites. E ele emite sinais. Procure escutá-los, sempre.
- Tempo e distância não são tudo em uma corrida. Algumas vezes, menos é mais. Concentrar os treinos em dois dias da semana (sábado e domingo) e querer correr quase 30 quilômetros nesses dias (10 no sábado e 18 no domingo) de novo, nem pensar!
- A linha entre o prazer e obsessão é muito tênue, também nas corridas.
- Na corrida, o único adversário é você mesmo, e seus limites. Competir tempo com os amigos pode ser perigoso.
- Chegar caminhando no fim de uma corrida, ou não completar a prova, é difícil, mas não é o fim do mundo. Você vai superar isso.
- Se tiver que ficar de “molho” por um tempo, fique de molho realmente.
- Determinação é tudo. Nunca deixe ninguém te convencer que você não consegue, e muito menos diga isso para você mesmo.
* Quem tiver interesse nesse teste da pisada ou na palmilha sob medida, pode procurar a Ortosolutions Próteses e Órteses – Rua Prof. Estevão Pinto, 52 – Serra (ao lado do Life Center)
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário